Consumo responsável – reveja seus hábitos e propague essa ideia!

O sucesso de um planejamento financeiro inclui, além de contas e apuração de receitas e despesas, uma avaliação de seus hábitos de consumo. Onde está gastando? Como está gastando? Tudo o que coloca na sua cesta de compras é realmente necessário?

Questionamentos como esses podem colaborar com as contas e ajudá-lo, também, a adotar o consumo responsável. Atenção às dicas:

Você “quer” ou você “precisa”? – antes de comprar algo, questione-se: você realmente precisa do produto ou se trata de um simples capricho, comprando algo para relaxar? Este é o melhor momento para a compra? Reflita sobre suas reais necessidades e procure simplificar. Você precisa mesmo de três pares de sapatos pretos? Evite aquela “olhadinha” na promoção se não for comprar, entre apenas nos estabelecimentos que realmente lhe interessam. Essas são apenas algumas dicas para evitar a compra por impulso nas lojas físicas. Na internet, onde tudo está “a um clique”, a tentação também é grande, assim, evite comprar rapidamente e crie o hábito de pensar e avaliar a compra antes de efetuá-la.

Reutilize produtos e embalagens – não compre de novo algo que você tem em casa e pode reaproveitar. E mais: use os produtos até o final. Quer muito experimentar o novo shampoo da propaganda que você acabou de comprar? Termine o que está aberto primeiro.

Faça sua lista – não seja impulsivo nas compras. A impulsividade é inimiga do consumo consciente. Planeje antecipadamente e, com isso, compre menos e melhor.

Pesquise preços – para isso, vale fazer uma cotação na internet e visitar virtualmente algumas lojas, onde poderá conhecer melhor o produto, as opções de modelos existentes e as vantagens, antes de chegar à conclusão. E mais: nada de fazer compras com pressa.

Compare produtos – antes de adquiri-los, observe atentamente suas características e a finalidade; leia os rótulos com atenção; dê preferência aos que possuem selos de certificação.

Diga não à pirataria – compre sempre do comércio legalizado, evite produtos falsos ou contrabandeados.

Valorize a responsabilidade social – não olhe apenas preço e qualidade dos produtos, na hora de comprá-los. Conheça as práticas de responsabilidade social das empresas fabricantes.

Fique atento à forma de parcelamento – aprenda a negociar e faça uso dos seus direitos. Se a intenção é mesmo de comprar algo, certifique-se de ter pleiteado, e conseguido, as melhores condições para isso. Em caso de parcelamento, fique atento às reais condições de pagamento!

Use o crédito a seu favor – quando você decidir usar uma linha de crédito, verifique se ela corresponde às suas necessidades, avalie os prós e contras e utilize-a com responsabilidade.

Exija a nota fiscal – não importa a forma como você paga suas compras: com dinheiro, cheque, cartão de débito ou de crédito. Peça sempre nota fiscal! Dessa forma, você garante seus direitos de consumidor em relação às mercadorias adquiridas e está, além de tudo, contribuindo para a sociedade.

Conheça seus direitos – é interessante que o consumidor se informe, primeiramente, sobre seus direitos, antes de qualquer reivindicação. Afinal, o Código de Defesa do Consumidor existe para guiar as relações de consumo, desde que ambas as partes cumpram também com seus deveres. Nestes casos, é importante estar atento quanto à política de troca de mercadoria, por exemplo, seja em loja física ou na internet.

Dê sua contribuição – envie às empresas sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços.

Comece em família – seja o exemplo em casa, levantando a bandeira do consumo responsável. As crianças devem aprender essas lições, na prática, desde cedo.

Propague essa ideia! – sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo responsável.

E lembre-se: não basta apenas saber comprar. Aprenda como e quando parar de consumir, assuma o controle das suas decisões. Este é um dos segredos de um bom planejamento financeiro!



Pesquisa faz ranking de bairros mais ‘infiéis’ de Porto Alegre

Um levantamento de um site de relacionamento extraconjugal, o Ashley Madison, aponta que Porto Alegre é a cidade líder em traição no Rio Grande do Sul. A pesquisa levantou os bairros da capital gaúcha com maior número de “puladores de cerca”, baseando-se no perfil dos usuários cadastrados no site: Petrópolis (meu bairro) lidera o ranking (8,2%), seguido por Centro (7,6%) e Cidade Baixa (6,6%).

Porto Alegre tem cerca de 40 mil usuários cadastrados no Ashley Madison. Na sequência aparecem as cidades de  Caxias do Sul, na Serra, e Passo Fundo, no Norte do estado, que aparecem com, respectivamente, cerca de 15 mil e 14 mil perfis registrados. “Podemos notar que os bairros de classe mais alta sempre figuram no topo da lista de infiéis, e esse fato se repete também em outras capitais que analisamos. Isso deixa bem claro que onde há dinheiro e poder, há mais traição”, analisa o diretor do Ashley Madison no Brasil, Eduardo Borges, sobre o resultado da pesquisa.
Bairro Usuários %
1 Petrópolis 2.981 8,2%
2 Centro 2.765 7,6%
3 Cidade Baixa 2.412 6,6%
4 Bela Vista 1.972 5,4%
5 Tristeza 1.437 4%
6 Ipanema 1.435 4%
7 Moinhos de Vento 847 2,3%
8 Boa Vista 826 2,3%
9 Mon’t Serrat 706 1,9%
10 Rio Branco 667 1,8%

Ainda segundo os dados, o bairro Tristeza, na Zona Sul, é o que possui o maior percentual de homens registrados, com 80%. Por outro lado, Bela Vista apresenta a maior concentração de mulheres cadastradas, com 49%.

Em outra análise, o site revela a preferência dos usuários de Porto Alegre quanto aos horários para a “escapadinha”. Os amantes costumam se encontrar durante o almoço: 29% dos entrevistados escolhem a faixa das 9h às 12h.

“A maioria dos amantes evita se ver muitas vezes por semana, justamente para não despertar a atenção do cônjuge. Eles costumam aguardar o parceiro viajar ou liberar um tempo maior para dar uma escapadinha de forma mais segura”, avalia Borges.

No ranking nacional, o Rio Grande do Sul ocupa o quinto lugar na lista entre os estados com maior número de infiéis, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

No ar desde 2002 e presente em 40 países do mundo, o Ashley Madison é o nome mais famoso no ramo da infidelidade e namoro de casados. O Brasil se encontra em segundo lugar no ranking mundial, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Fonte: G1



A cultura do desperdício

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), 40% da água retirada no país é desperdiçada. De acordo com a ANA, são retirados dos rios e do subsolo no Brasil 840 mil litros de água a cada segundo. Ao dividir esse número pela população de 188,7 milhões de brasileiros, chega-se à conclusão de que cada habitante consumiria, em média, 384 litros por dia. Acontece que, desses 840 mil litros retirados dos mananciais brasileiros por segundo, 69% vão para a irrigação, 11% para o consumo urbano, 11% para o consumo animal, 7% são utilizados pelas indústrias e 2% pela população rural.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano 2006, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o gasto médio diário do brasileiro cai para 185 litros. Parte da diferença de 199 litros foi utilizada na agricultura, na pecuária e na indústria. O problema é que a maior parte dessa água, em torno de 150 litros, foi desperdiçada.

Apesar das inúmeras campanhas contra o desperdício de água encetadas nas últimas décadas, continuamos utilizando esse recurso natural como se fosse infinito. De acordo com as Nações Unidas, as crianças nascidas no mundo desenvolvido consomem de 30 a 50 vezes mais água que as dos países pobres. Mas as camadas mais ricas da população brasileira têm índices de desperdício semelhantes aos do primeiro mundo, associados a hábitos como longos banhos ou lavagem de quintais, calçadas e carros com mangueiras (um europeu consome entre 200 e 300 litros e um norte-americano, 575).

Nada caracteriza melhor o desperdício da água do que a imagem de uma pessoa lavando a calçada com mangueira, empurrando com o jato cada folhinha, cada pedaço de papel, numa tarefa que seria melhor desempenhada (e em menos tempo) por uma vassoura.

E esse desperdício é mensurável. A tabela a seguir mostra a diferença brutal entre o consumo com desperdício e o consumo racional da água numa casa ou num apartamento. (Quem mora em casa, tende a consumir um pouco menos. Para a água chegar ao alto de um prédio, precisa de pressão mais forte que o normal. Por isso, gasta mais.)

Hábitos Consumo c/ desperdício Consumo racional
Ao escovar os dentes Em 5 minutos com torneira aberta:
– Até 12 litros (casa)
– Até 80 litros (apartamento)
Torneira fechada:
– Cerca de 0,5 litros (casa)
– Cerca de 1,0 litro (apartamento)
Ao fazer a barba Em 5 minutos com torneira aberta:
– Até 12 litros (casa)
– Até 80 litros (apartamento)
Torneira fechada:
– Cerca de 2,0 litros
Ao dar descarga no vaso Com válvula desregulada:
– Até 30 litros
Válvula regulada por 6 segundos:
– Até 10 litros
Ao tomar banho Em 15 minutos, registro aberto:
– 45 litros (casa)
– 144 litros (apartamento)
Em 5 minutos, registro aberto:
– 15 litros (casa)
– 48 litros (apartamento)
Ao lavar louças Em 15 minutos, torneira aberta:
– 117 litros (casa)
– 243 litros (apartamento)
Torneira fechada:
– Consumo de até 46 litros
Ao lavar o carro Em 30 minutos, com mangueira aberta:
– Até 560 litros de água
Utilizando um balde:
– Consumo de apenas 40 litros
Ao regar o jardim Em 10 minutos, com mangueira aberta:
– Até 186 litros de água
Usando a vassoura:
– Nenhum consumo
Ao lavar a calçada De tamanho médio, exposto ao sol:
– Evapora-se cerca de 126 litros/dia
Com cobertura:
– Evapora-se cerca de 12,6litros/dia

Salta aos olhos a economia que seria feita se o consumo racional da água fosse adotado. Uma economia que o consumidor sentiria no bolso, de imediato. No entanto, ao receber a conta de água, ele não se questiona se poderia estar pagando menos. Vai, paga e continua a consumir sem nenhum critério.

As duras realidades das mudanças climáticas, exibidas regularmente nos meios de comunicação de massa, começam a penetrar a consciência da população, que passa a abandonar uma postura indiferente diante dessas convulsões da Natureza e a adotar uma atitude mais participativa, mais questionadora.

Afinal, somos todos criaturas da biosfera e estamos todos igualmente sujeitos às suas leis. Se as desrespeitarmos, sofreremos pessoalmente as consequências, não num sentido intelectual e abstrato, mas como indivíduos, em nossa própria carne.

Ser reconhecido como alguém que age positivamente para que um bem inestimável da Natureza seja preservado é um sentimento altamente gratificante. Destaca o indivíduo das fileiras dos indiferentes.



Road rage

O comportamento de usuários dos sistemas de trânsito em cidades e estradas tem ocupado as pesquisas de muitas instituições. O modo agressivo como muitos reagem a inconvenientes encontrados no caminho pode às vezes levar a finais trágicos.

Cláudia Aline Soares Monteiro e Hartmut Günther, da Universidade de Brasília, estudaram as relações entre agressividade, raiva na direção e erros e violações de motoristas. Concluem que quanto menor o conjunto dos índices de raiva na direção, menos os de erros e violações de motoristas. Baixos índices de raiva na direção relacionam-se com baixos índices de agressividade. Finalmente, baixos índices de agressividade são relacionados com baixos índices de erros e violações de motoristas.

Ou seja, quanto mais agressivo estiver o estado mental de um motorista num determinado momento, mais propenso estará a cometer erros na direção ou violar leis. O que pode desencadear essa agressividade? Os pesquisadores usaram duas escalas: a Escala de Raiva na Direção (ERD) consiste de três índices: progresso impedido, direção agressiva e ambiente físico. Por outro lado, a Escala de Agressividade Geral (EAG) consiste de três índices: agressão física, agressão verbal e irritabilidade.

Engarrafamentos, manobras arriscadas de outros motoristas ou excesso de calor são suficientes para provocar sérios conflitos. A agressividade latente varia em cada cidadão e pode ser agravada por outras tensões, no trabalho, na escola ou no lar. A presença do álcool potencializa ainda mais essa agressividade. Foram registrados em Goiás, até o mês de julho deste ano, aproximadamente 4.600 acidentes envolvendo pessoas embriagadas.

O Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, define a fúria no trânsito como “o somatório do estresse físico, psicológico e social com a direção agressiva acompanhada de distúrbio comportamental e característica própria de cada um, podendo ter agregada doença mental adormecida”.

Embora representem apenas 25% da frota de veículos, as motos lideram a estatística do DPVAT – o seguro cobrado de todos os proprietários de veículo automotor e pago a vítimas de acidente de trânsito. Em 2010, 60% das indenizações foram para motociclistas.

Os pedestres são outro importante agente no complexo tráfego de ruas e estradas. E continuam sendo as maiores vítimas do trânsito em nosso país. Na cidade de São Paulo, aproximadamente 60% dos mortos em acidentes de trânsito são pedestres atropelados. O número de pedestres feridos nos atropelamentos gira entre 14 a 16.000 por ano, dos quais aproximadamente 45% gravemente. Para Goiás, temos dados do DETRAN de janeiro de 2007 a outubro de 2008. Os mais recentes são os do SAMU.

A maior parte dos atropelamentos envolve automóveis e motocicletas. Ônibus, caminhões e bicicletas têm menor ocorrência.

No Brasil, estima-se que cerca de cinco mil crianças e jovens até 19 anos sejam mortos por atropelamento a cada ano, algo entre 15 e 20% de todas as mortes nessa faixa etária.

 

 



Perspectiva Sobre a Espécie Humana

Por Miguel Oliveira

Desde que Homem se tornou Homem que vigora, ainda que de forma disfarçada, uma doutrina exacerbadamente antropocêntrica. Este é um conceito que confere uma aura de superioridade à espécie humana e que a coloca no centro de tudo, como resultado de uma valorização excessiva das suas capacidades e que mais nenhuma outra forma de vida possui. A nossa inteligência foi capaz de produzir e inventar coisas absolutamente maravilhosas e as nossas faculdades mentais são, de longe, mais desenvolvidas, mais avançadas e mais complexas que todas as outras espécies. Mas estes (e outros) fatores não podem ser o motivo para que o ser humano se auto­intitule e atue como dono e senhor não só do planeta Terra, mas também do universo.

Nós, os humanos, não somos especiais. Nem superiores. Somos sim, apenas e só mais um ramo da árvore da vida que partilha características comuns (como o DNA ou os processos bioquímicos para obtenção de energia) com todas as restantes espécies. Somos o resultado de um acidente evolucionário que teve origem há cerca de 6/7 milhões de anos atrás, algures nas savanas africanas, e o produto de diversos fenomenos aleatórios que proporcionaram uma conjuntura extremamente invulgar para a evolução do Homem. Não há, nem nunca houve, nenhum propósito nas leis que governam o universo para a criação da nossa espécie.

Pura e simplesmente, a nossa existência é totalmente indiferente ao universo. Até porque, os elementos químicos que constituem o ser humano (e todas as outras espécies), como o oxigênio, o carbono e o hidrogênio, são abundantes no universo. E se o leitor ainda permanece convicto de que nós somos especiais, então permita que lhe informe que existem outras espécies bem menos complexas, desprovidas de inteligência e tão ou mais bem sucedidas que nós e perfeitamente adaptadas aos meios ambientes onde proliferam há milhares de anos!

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A era da impaciência


Por Thomaz Wood Jr.

A vida no século XXI pode não ser maravilhosa como sugerem as propagandas de telefones celulares, graças aos consideráveis impactos sociais provocados pela onipresença das novas tecnologias de comunicação e informação. Dois filmes recentes tratam do tema: Disconnect (de 2012, dirigido por Henry Alex Rubin) e Men, Women & Children (de 2014, dirigido por Jason Reitman). As duas obras adoçam seu olhar crítico com uma visão humanista. O grande tema é a vida contemporânea, marcada pelo consumo de bens e estilos, e povoada pelas doenças da sociedade moderna: bullying, identidades roubadas, comunicações mediadas e relações fragilizadas. No centro dos dramas estão a internet e as mídias sociais.

Se determinados impactos sociais já são notáveis, alguns efeitos econômicos ainda estão sendo descobertos. No dia 17 de fevereiro de 2015, Andrew G. Haldane, economista-chefe do Banco da Inglaterra, realizou uma palestra para estudantes da University of East Anglia. O tema foi crescimento econômico. O texto, disponibilizado pela universidade, é raro exemplo de elegância e clareza, com doses bem administradas de história, economia, sociologia e psicologia.

Haldane inicia mostrando que o crescimento econômico é uma condição relativamente recente na história da humanidade, começou há menos de 300 anos. Três fases de inovação marcaram essa breve história do crescimento: a Revolução Industrial, no século XVIII, a industrialização em massa, no século XIX, e a revolução da tecnologia da informação, na segunda metade do século XX.

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Embriagai-vos

O Baco de Caravaggio (c.1595)

(Trad. Aurélio Buarque de Holanda, 1950)

É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.

Mas – de quê ? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis.

E, se algumas vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:

– É a hora de embriagar-se! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.



A Pedagogia do Desastre


José Leão de Carvalho escreveu este texto em 31 de julho de 2001.

Desastre sm. Acontecimento calamitoso, especialmente o que ocorre de súbito e ocasionando grande dano ou prejuízo. Do italiano disastro (de dis+astro) ‘má estrela, infortúnio’, século XIV. Nessa época a ideologia diante dos fatos era fortemente marcada pelo pensar mágico, quase tanto quanto atualmente.

Já ingressamos na era dos desastres

Não se trata da mera leitura de estatísticas. Nem de impressionar-se com a emocionalização dos noticiários. Estamos falando de um novo contexto de realidade que veio acrescentar um progressivo grau de exigência para as lideranças em todos os níveis e áreas.

São os meios de transporte que carecem comercial e ideologicamente tornar-se mais e mais velozes, com frequência desafiando propriedades dos materiais e características dos componentes.

São os desastres mercadológicos, na verdade respostas sociais a decisões baseadas mais em gráficos, inércias e “wishful thinking” do que no pensar estratégico.

São vazamentos e outros acidentes com fluidos danosos ao meio ambiente.

São os “desastres de saúde”, cujos crescimento, frequência e gravidade ja começam a ser previstos como parte da nova “normalidade” a partir de agora.

São desastres sociais e explosões políticas que entrarão em pauta, até porque os fenômenos que lhes dão causa estão sendo a cada dia mais excluídos da avaliação auto-indulgente dos setores dominantes.

Essa multiplicidade de contratempos será inicialmente encarada como mau humor dos astros, azar, castigo do incognoscível e outras justificativas análogas.

Mas certamente chegará o momento em que grupos humanos e lideranças se darão conta de que cabe pensar a respeito.

Olhar mais fundo

Estamos diante de um processo cuja filmagem é extremamente fácil, quase óbvia. A simples observação de como as instituições e lideranças reagem após o desastre já nos diz bastante do quadro que o precede.

Anotemos o que costuma acontecer em seguida a um acontecimento calamitoso. Grifemos os relatórios dos inquéritos e as reações da mídia e da opinião pública.

Qual a primeira reação? Procurar os culpados. Isto quer dizer que, em vez de investigar cientificamente o que falhou, prioriza-se satisfazer a irracionalidade que desde tempos imemoriais cultua a punição. Ou seja, à irracionalidade ou insuficiente racionalidade que produziu o acidente soma-se a irracionalidade exorcizante da busca de culpados. Mesmo que exista culpa de qualquer natureza, seria vantajoso recuperar todos os momentos (avisos, omissões, decisões, vieses de interpretação, crenças, ilusões, principalmente as ocorrências normais etc.) que antecederam a eclosão do grande fato.

Além dessa pauta moral obsessiva, prevalece uma “pesquisa científica” que não é científica, posto que apenas tecnológica.
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Competitivismo sufoca a competitividade


leao2Autor: JOSÉ LEÃO DE CARVALHO

1. COMPETITIVISMO SUFOCA A COMPETITIVIDADE

O conceito “Pensar para a Competitividade” insere-se legitimamente entre as mais argutas contribuições que as teorias gerenciais vêm gerando para atualizar o pensar das lideranças organizacionais em face da economia global.

Às vezes, porém, ocorre um escorregão aparentemente inocente quando se fala em “pensar competitivo”. É oportuno refletir sobre a interpretação contida nesse quase-sinônimo. (Por favor, não pense que estamos convidando você a uma conversa semântica sobre uma locução verbal… Nossas considerações sobre o pensar são sempre de natureza prática.). Primeiramente, vejamos o que é um “pensar competitivo”. É um processo mental marcado por uma base atitudinal competitiva. A partir desse impulso de querer igualar-se ou ultrapassar alguém que está fazendo um dado caminho, é quase inevitável que o sujeito desenvolva emulações alimentadas pelos mesmos paradigmas do outro com quem escolheu competir: imitações “maiores” ou mais poderosas ou mais charmosas, mas sempre imitações. Em outras palavras, “mais do mesmo”.

Em resumo, o atitudinal COMPETITIVO constrói “funis mentais” que, ao estreitar as alternativas, empobrecem os processos do pensar e, em conseqüência, afastam o empreendedor do caminho da competitividade.

Já o PENSAR PARA A COMPETITIVIDADE alimenta-se de atitudes e procedimentos que buscam construir decisões, caminhos, conceitos ou produtos que propiciem posições singulares ou vantajosas ao empreendedor. Este, ao sair da “perseguição” ao competidor, liberta-se dos paradigmas da situação existente. E é isso o que lhe proporciona oportunidade de diversificar e inovar.

Na verdade, esse “Pensar para a Competitividade” é uma das manifestações da Criatégia, aquele surpreendente feixe metodológico que resultou da fusão da metodologia do processo criativo com a “álgebra sempre insubmissa” da estratégia.

2. A FORÇA DE UM CLICHÊ

Se você mostrar este texto a uma pessoa que cultua o atitudinal competitivo – e no mundo das organizações muita gente crê que carece alimentar esse “culto” incondicionalmente -, o mais provável é, na melhor das hipóteses, receber uma amistosa compaixão ou, se topar com alguém que esteja apostando no passar-por-cima, alguma zombaria mais agressiva.

Se você tentar argumentar, a tendência do seu interlocutor vai ser encarar as suas palavras como “uma conversa ética”. E não esqueça que, na cultura chamada prática, ética é algo abstrato, facultativo, normalmente perturbador para os negócios, vindo de fora para dentro das pessoas, talvez por culpa de Moisés quando Charlton Heston voltou do Sinai carregando aquelas pedronas entalhadas.

Forçar a conversa a tornar-se um embate “da prática contra a ética ingênua” é um artifício industrializado que visa não questionar os truismos que desmobilizam o pensar transformador.

Esta mensagem eletrônica, no entanto, resume uma de nossas observações profissionais feitas ao longo de 25 anos de experiência com a metodologia do processo criativo, que aqui compartilhamos para sua reflexão, se a agenda da competitividade for de seu interesse.

O COMPETITIVISMO PRECISA SER QUESTIONADO ANTES PELOS PREJUÍZOS QUE ACARRETA À DINÂMICA DO PENSAR DO QUE EM ATENÇÃO A “LIRISMOS” DE NATUREZA ÉTICA.

Como sempre, o que estreita o pensar transformador não são anormalidades nem anomalias de qualquer natureza, mas exatamente NORMALIDADES VIGENTES na cultura em que vive o sujeito. Uma delas é esse auto-esterilizante culto ao competitivismo.



Vou-me embora pra Passárgada

oahu-lanikai-beach322070Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.