Transição é “uma situação que anda”

José Leão de Carvalho
Este texto foi originariamente redigido em 4 de setembro de 1998 e, sob o título “Transição não é um fato parado, mas um processo”, publicado no SuperAção nº 16.

Transição sf. ‘ato ou efeito de transitar’ 1813. Do lat. transitio-onis .

Construa a sua esteira rolante

Podemos comparar transições com aquelas esteiras rolantes sobre as quais se anda em alguns aeroportos. Um exemplo é a esteira dos rumos da economia, que talvez signifique algum novo desafio (oportunidade, atropelo, transformação).

Transições sempre aconteceram, pelo menos desde que existe o tempo. O que está chamando a atenção nas empresas, nas instituições, nos negócios, na política e na própria economia é uma crescente aceleração no ritmo das transições. E nada indica que esse ritmo vá arrefecer.

Transições são processos em andamento. Não podem ser trabalhadas como fatos do passado, os quais já estão formatados e empacotados1.
Um dos atributos do pensar é encarar a realidade, inclusive as transições, como processos sujeitos à intervenção humana.

Diante de transições que originam outras transições, o primeiro passo é mapear o cenário, tendo o cuidado de deixar de lado paradigmas, crenças, opiniões e entendimentos antes válidos.

Na era dos descobrimentos, Espanha e Portugal não eram os países mais ricos da Europa. Mas foram os que conseguiram romper com algumas crenças vigentes; por exemplo, a de que as correntezas levariam os barcos a monstros e abismos.

Em 1888, no Brasil a maioria dos proprietários de terras acreditou que sem a mão de obra escrava seus negócios iriam para o “abismo”. Alguns fazendeiros, em São Paulo, buscaram outra mão de obra. E não se deram mal.

A Revolução de 1930, a política trabalhista de Vargas, a entrada do País na segunda guerra, o governo JK e outras transições desmentiram crenças vindas de todas as direções. Mas quase ninguém parece lembrar-se desses desmentidos.

O pensar que surfa

Todo comandante de barco bem que deveria ter antes praticado surfe. Só que surfe se aprende surfando.

Essa metáfora com o surfista pode ajudar a entender por que nas transições o jogo é mais estratégia que planejamento. Na transição, o planejador, mesmo que não seja essa sua intenção e até entenda a necessidade de pensar estratégica-mente, tenta segurar a correnteza, ao passo que o estrategista procura capitalizar ou, no mínimo, deslisar flutuante.

Não cabe fazer restrições ao planejador por ter dificuldade em surfar nas transições, porque a dificuldade não é apenas dele. Trata-se de uma pesada herança ideológica.
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Toda crise alimenta-se de ilusões


José Leão de Carvalho

Por isso, abre tanto espaço para a inteligência.

Reconhecemos que qualificar uma crise como ilusão parece, à primeira vista, um absurdo. Vejamos, porém, a origem e o comportamento das crises em qualquer campo.

De onde vêm as crises?

Na medicina, nas organizações, no campo social, a crise é sempre “um desequilíbrio que sobrevém no curso de uma situação” ou “a súbita alteração em um estado aparente de boa saúde”.

Isto nos diz que os dados da crise pré-existiam na situação. Algo falhou no olhar, no diagnóstico ou no prognóstico. Em outras palavras, foram formas de pensar (paradigmas, crenças, inércias etc.), ilusórias naquele contexto, que abriram espaço para a crise.

Muito concreta para ser uma ilusão

Admitamos que na origem da crise estejam ilusões. Mas cabe encarar a própria crise como uma ilusão se a sentimos tão concreta?

A situação é real, mas o juízo que se faz da crise – emprenhado dos paradigmas e crenças que levaram a situação a esse “ponto crítico” – é uma ilusão. Enquanto esse juízo persistir, a crise terá que se manter inevitável e insolúvel.

E presumi-la inevitável e insolúvel é a ilusão que confere permanência à crise. Tal ilusão é que lhe confere foros de realidade.

Então, não tem jeito?

Tem, o jeito é começar a pensar em outras direções, recorrendo a outros procedimentos mentais.

Primeiro passo: identificar os culpados, não é?

Do ângulo da metodologia do pensar, caçar culpados atrapalha mais do que ajuda. Procurar culpas talvez interesse a outras especializações, não a quem trabalha com a resolução de crises.
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Profissionais de T&D pilotam a imaginação construtiva

 

José Leão de Carvalho

A imaginação não acontece fora do pensar; e não poderia ser de outra forma, já que é uma de suas funções. Embora isso esteja óbvio quando declarado, nem sempre é assim na prática. Mesmo as pessoas mais sofisticadas não parecem assumir a imaginação como um recurso, preferindo deixá-la de lado como algo pouco objetivo, que não faria parte do pensar.

É por estar no território do pensar, que este qualifica a imaginação. Daí as diversas atitudes que a adjetivam: construtiva, destrutiva, modorrenta, inquiridora, fugitiva, mão única, aberta à experiência, ordem unida, anárquica, obediente, para o que der e vier, et cetera ad infinitum.

Hoje, vamos narrar como um comitê de profissionais de T&D (Treinamento e Desenvolvimento) pilotou, quase acidentalmente, esse recurso de 1001 utilidades. Escolhemos esse caso porque o campo profissional dos que cuidam da sobrevivência inteligente das organizações é consanguíneo da nossa missão.

Cenário: Reunião de um pequeno comitê de educação empresarial cujos participantes são profissionais experientes, de diferentes faixas etárias. As diretorias das empresas ali representadas vêm demonstrando, com diferentes palavras, preocupação com a lentidão com que os corpos executivo e técnico respondem às constantes mudanças de mercado, de tecnologia e de regras de jogo. Daí a pauta enunciada pelo coordenador da reunião: treinar o corpo gerencial para responder ao imprevisível.

— Isso não é nossa especialização. Melhor chamar a Mãe Diná.

— Mas, para encarar o imprevisível, não se trata de treinamento e sim de destreinar as pessoas que se limitam a só pensar no que é considerado certo ou verdadeiro agora.

(Nas duas intervenções acima, já apareceram duas atitudes da imaginação: na primeira, o caráter lúdico não esconde a atitude fugitiva e, na segunda, a abertura à experiência começa a criar espaço para a construção de um caminho.)

Uma primeira proposta é montar-se um curso. Mas de quê? Outra é atrair-se um figurão internacional. Mas uma profissional mais experiente adverte: “Esses caras trazem algo pronto, preparado para dar certo no salão de conferências, mas quando vão embora a situação aqui não mudou. Ou mudou: agora é como se o problema estivesse acima de nossas qualificações.”

Uma chamada à realidade é sempre saudável. Logo alguém propõe algum curso que ensine a “ter idéias com maior velocidade para enfrentar os problemas na medida em que vão surgindo”. Percebe-se nessa proposta uma imaginação ousada que, embora carente de maiores dados, não se retraiu. Com frequência essa imaginação “aventureira” abre caminho para novos processos de pensar.

— Não adianta rapidez de idéias se não houver prática em fazer diagnóstico do que estiver sendo considerado problema.

É isso aí, moça! Haja imaginação de risco, porque não há diagnóstico com certificado de garantia.

— Mas para fazer o diagnóstico precisa-se ter todos os fatos.

— Deixe de ser guloso. Nunca se alcança isso de ter todos os fatos. O que interessa é descobrir nos fatos, inclusive nos já conhecidos, algo que não se tinha percebido antes.

Esse é o olhar da imaginação que se esfrega nos fatos até arrancar-lhes a casca. O filósofo Riobaldo, versado em Husserl e Sartre, certamente diria que essa imaginação garimpeira é o tutano do pensar.

— Essa conversa lembra aquelas pessoas que vivem nos enchendo o saco com o que chamam de pensar sistêmico. Não agüento a pretensão deles.

— Eles argumentam bastante, mas não sei por que o meu diretor prefere gente mais conhecida.

A discussão parece estar sendo regida pela imaginação destrutiva, um excitante nihilismo de comadres tão presente nos pequenos colóquios quanto na grande mídia. A intenção está longe de ser destrutiva; apenas não se quer arriscar confiança.

Mas acontecem surpresas quando as pessoas juntam suas imaginações em um caldeirão. Ouve-se uma voz que pouco havia falado:

— Não vou arriscar encaminhar o corpo gerencial aos cursos dessa metodologia sem antes conhecê-la de forma viva, como eles mesmos dizem. Se palestras não adiantam, vou eu mesma participar de um curso e depois decido. Esse risco eu posso correr.

Nunca se sabe o que vai acontecer, mas por enquanto abriu-se uma chance para a imaginação-que-vai-em-frente.

— Eu não vou agora, mas acho que tenho quem possa ir.

A partir desse momento, é o futuro. E este é a lavoura da imaginação.



Pensar é processo


leao2Encontrei num antigo CD de backup alguns textos do saudoso José Leão de Carvalho, pai da Criatégia e fundador do extinto ILACE. Vou publicá-los aqui, para que se perpetuem nesta nuvem, porque seu autor está perpetuado em nossos corações.

Em um primeiro momento, quando se é convidado a desenvolver “uma nova qualidade de pensar”, esta proposta parece no mínimo pretensiosa.

A alguns interlocutores parece que se está dizendo algo como: “Você precisa aprender a pensar” ou “Troque os seus pensamentos”.

Antes de tudo, cabe esclarecer que a proposta de aprender a pensar não seria nenhum desrespeito. São inúmeras as iniciativas sérias em várias partes do mundo. Podemos indicar bibliografia específica aos interessados. Aqui mesmo no Brasil, podemos destacar a tradução de Dante Moreira Leite para o “Ensinar a Pensar” de Raths, Jonas, Rothstein e Wassermann (EPU – Editora Pedagógica e Universitário – em co-edição com a Editora da USP)

Convém-nos aprender a pensar, sim. Embora respiremos desde a primeira palmada recebida, podemos aprender a respirar.

Por sua vez, entender que “alongar” o pensar seja trocar os pensamentos é um desvio exagerado de interpretação. Não se está propondo trocar os pensamentos, mas ganhar uma nova qualidade nos processos de pensar. Pensamento é o produto; pensar é a operação mediante a qual a inteligência põe em ação o seu arsenal de atitudes e processos.

Uma questão sub-avaliada

Durante milênios prestigiou-se o pensamento, que é o produto do pensar, e quase não se pensou no pensar, que é o conjunto de procedimentos e atitudes produtor do pensamento. Raros foram os pensadores que pensaram nos processos do pensar: Sócrates, Spinoza, Locke, Freud, Dewey, Sartre, Heidegger e Bloch. Era como se, ao tratar do pensamento, já se estivesse cuidando do pensar.

No entanto, além de constituir um significativo descuido, confundir o pensar com o pensamento gera consequências no desempenho da inteligência.

Antes que a questão se afigure muito “intelectual”, exemplifiquemos algumas dessas consequências.

O pensamento se acomoda

O pensamento (conhecimento, opinião, solução, interpretação) tem uma conhecida propensão a reduzir-se a um “objeto pobre em mobilidade e flexibilidade”, que logo encontra um escaninho na mente para acomodar-se e defender-se. Só o pensar consegue desacomodá-lo e por vezes torná-lo fecundo.

Basta pensar

Só que pensar não é repetir o já pensado. Pensar é no mínimo repensar.
A esse pensar que recomeça, que descobre, que inventa, que transforma, costuma-se dar variados apelidos. O mais frequente é criatividade.
Criatividade, porém, não está dizendo o que lhe caberia significar.

Pensar não é virtude

Muito menos supervirtude.

Costuma-se falar do pensar criativo ou transformador como se fosse privilégio de uns poucos. Através dos tempos, as diferenças sociais vêm plasmando a crença segundo a qual pensar seria algo excepcional, na linha do dom, da virtude e do heroísmo.

Já pagamos alguns preços elevados por esses truísmos. Um deles é a reativa inapetência ao pensar, que, nos últimos cem anos, tem gerado as maiores devastações em todos os campos.

Em alguns círculos, parece que essa inapetência ao pensar é algo que até pode ser prejudicial “por aí” mas não afetaria as organizações.

Uma das consequências, porém, desse truísmo é que até aquelas lideranças que precisam mais urgentemente ampliar e dinamizar seus processos mentais protelam aprender a metodologia do pensar criatégico. Parecem temer que, se reconhecerem a necessidade desse aprendizado, estejam arriscando seu status de “inata superioridade”.

O pensar não é transferível

O pensamento-produto pode ser ensinado, no sentido de ser transferido de uma inteligência para outra, ao passo que o aprendizado do pensar pode ser apenas facilitado a outrem, mas não mediante o ensino-transferência. Facilitar o aprendizado do pensar consiste em ajudar o outro a diversificar e desenvolver seus próprios processos e atitudes nas operações da inteligência.



Solucionamento de problemas

O problema

Por que é necessário resolver o problema?
Quais os benefícios que você receberá por resolver o problema?
Qual é a incógnita?
O que é que você ainda não entendeu?
Qual é a informação que você tem?
O que não é o problema?
A informação é suficiente? Ou é insuficiente? Ou redundante? Ou contraditória?
Você deve desenhar um diagrama do problema? Uma figura?
Onde estão os limites do problema?
Você pode separar as diversas partes do problema? Você pode escrevê-las? Quais são as relações entre as partes do problema? Quais são as constantes do problema?
Você já viu esse problema antes?
Você já viu este problema de uma forma ligeiramente diferente? Você conhece um problema relacionado?
Tente pensar em um problema conhecido que tenha a mesma incógita ou uma semelhante.
Suponha que você encontre um problema relacionado com o seu que já foi resolvido. Você pode usá-lo? Você pode usar o seu método?
Você pode reaformular o seu problema? De quantas maneiras diferentes você pode reformulá-lo? Mais geral? Mais específico? Podem as normas ser mudadas?
Quais são os casos melhores, piores e mais prováveis que você pode imaginar?

O plano

Você pode resolver todo o problema? Parte do problema?
Qual você gostaria que fosse a resolução? Você consegue imaginar isso?
Quanto da incógnita você pode determinar?
Você pode derivar algo de útil a partir das informações que você tem?
Você já usou todas as informações?
Você levou em conta todas as noções essenciais no problema?
Você pode separar as etapas do processo de resolução do problema? Você pode determinar a correção de cada etapa?
Que técnicas de pensamento criativo você pode usar para gerar idéias? Quantas técnicas diferentes?
Você pode ver o resultado? Quantos tipos diferentes de resultados que você pode ver?
De quantas maneiras diferentes você já tentou resolver o problema?
O que os outros fizeram?
Você pode intuir a solução? É possível verificar o resultado?
O que deve ser feito? Como deve ser feito?
Onde deve ser feito?
Quando deve ser feito?
Quem deve fazer isso?
O que você precisa fazer neste momento?
Quem será responsável pelo quê?
Você pode usar esse problema para resolver algum outro problema?
Qual é o conjunto único de qualidades que faz deste problema o que ele é e nada mais?
Que marcos podem melhor marcar o seu progresso?
Como você vai saber quando teve sucesso?



Hábitos de Turismo na Terceira Idade

Os consumidores da terceira idade representam hoje 14% da população brasileira e são responsáveis por cerca de R$ 2,4 bilhões de renda própria. Mas o que eles buscam?

Uma pesquisa divulgada pela Quorum Brasil e realizada com homens e mulheres de 60 a 75 anos afirma que 58% dos entrevistados desejam viajar pelo país.

Entre os outros planos dos entrevistados, a pesquisa constatou que 33% desejam andar de moto, saltar de paraquedas, passear de balão, andar de lancha e pilotar avião.

Os outros 9% tem planos de comprar um carro, uma casa na praia, uma casa no campo, encontrar um namorado novo ou gravar um CD.

Em contraste com estes números, está o investimento de renda da chamada terceira idade, que destina apenas 4% do dinheiro que recebem para o lazer. De acordo ainda com a pesquisa, um total de 34%, ou seja, a maioria da renda é gasta com moradia, água, luz, telefone e gás.

Os remédios vem em segundo lugar, à frente da alimentação, que aparecem com 24% e 22% dos investimentos, respectivamente.

De acordo com especialistas de mercado, para que o público mais velho entre de vez e com uma boa participação no mercado turístico, algumas mudanças devem ser feitas. Entre elas, planos diferenciados para a terceira idade, custos menores de passagem e impostos reduzidos.

Dados da pesquisa apontam ainda que grande parte dos entrevistados sente falta de produtos adequados ao seu estilo. Um dos exemplos está na indústria alimentícia. Entre os pesquisados, 71% diz que não encontra alimentos adequados.

O setor vestuário também está entre as reclamações dos entrevistados e 42% das pessoas dizem que não encontram roupas adequadas ao seu estilo de vida.

Ainda dentro do segmento turístico, mais de dois terços dos entrevistados criticaram os hotéis. Entre as reclamações, estavam a falta de banheiros adaptados para a segurança, tapetes no chão dificultando o tráfego, e a falta de elevadores.

A pesquisa concluiu que os entrevistados representam uma grande parcela da economia brasileira. Além do alto consumo, os dados apontam que 64% da categoria compra pela qualidade e não pelo preço. Continue a ler



Mídia – Novos significados


As palavras transitam por diferentes territórios e culturas e, com o tempo, se misturam a outras palavras de origens diferentes. Algumas palavras perdem o significado original para representar algo mais genérico, mais expandido, de uso e domínio popular. No caso deste estudo, é importante pensar nos significados de duas palavras relativamente novas na língua portuguesa, mas que têm sido utilizadas intensamente na era em que vivemos.

O que quer dizer mídia?

“Não gosto de usar a palavra mídia, pois não gosto de usar palavras das quais não entendo o significado. Antes dos automóveis existirem, falávamos sobre carruagens. Hoje, existem algumas palavras que estão sendo muito desafiadas em seu significado, como ‘mídia’ e ‘jornalismo’. Se eu leio uma notícia num blog, isso é jornalismo? Será que quem escreveu a notícia é um jornalista? Para mim essas definições não funcionam mais. O que é mídia? A internet é mídia? E o Facebook é uma mídia?”
(Chris Anderson, editor da revista Wired Magazine e autor do livro Long Tail)

O termo “mídia” vem do latim “media”, plural de “medium”, que se traduz como “meio” ou “intermediário”. No meio acadêmico, mídia se refere aos meios usados para comunicar e transmitir conteúdo, as ferramentas e meios de acesso e troca, ou, numa visão mais simples, os meios de comunicação.
Ao mesmo tempo, existe a percepção de que a evolução da humanidade e da tecnologia causou a evolução desses meios, que se multiplicaram e formaram muitos formatos, convergentes entre si. O resultado é que a palavra pode ter ampliado o seu significado.

“A palavra ‘media’, em inglês, é o plural da palavra medium do latim, que significa meio. É uma coisa engraçada como as palavras são transformadas. É uma palavra latina, um plural latino, e ela chega através do inglês, daí vem a pronúncia mídia. Eu sou certo de que são meios de comunicação em geral, em princípio. Mas mídia envolve tanto os meios de comunicação unilaterais e centrais, como rádio,TV, como meios bilaterais, que permitem a troca de informação.”
(Professor de Filosofia)

“A mídia é um produto do desenvolvimento cultural da espécie que trata da questão mais fundamental para o ser humano: a comunicação. E estamos iniciando outro estágio de desenvolvimento cultural da humanidade. Hoje se fala da internet como responsável por uma grande transformação. Mas isso não é uma grande novidade em termos da história da espécie, pois tivemos outros grandes momentos de mudança, como, por exemplo, a invenção da imprensa, que também trouxe um impacto muito significativo.”
(Neurocientista)

“A mídia mais antiga é a conversa, a linguagem. Mídia é uma ferramenta de troca. A preocupação sempre foi saber como trocar informações. A evolução da mídia é a volta da valorização da sua essência, a conversa. Com a internet, não precisamos mais trocar informações só usando a mídia de massa, com milhares de pessoas, mas sim, com outros meios, inclusive.”
(Produtor de conteúdo)

“Mídia é meio, é intermediação. Um meio que emite para alguém que recebe essa emissão.”
(Profissional de mídia)

No universo dos jovens, a palavra mídia já foi incorporada à linguagem e tem um significado mais amplo: pode representar tanto os meios de comunicação como o conteúdo transmitido por esses meios. Essa geração a utiliza para falar de TV, internet, rádio, revista, jornal, celular, game, MP3, GPS, teatro, cinema, shows, eventos, livros, flyers, mala-direta, cartazes, banners, MSN, Orkut, Facebook, Twitter, YouTube, embalagem, boné, camiseta; por outro lado, o termo também significa notícias, atualidades, informação, fofoca, celebridade, propaganda, moda, marcas, consumo, tecnologia, música, bandas, etc.
“Mídia é informação e é tudo que envolve jornal, revista, televisão, computador, internet, todos os meios.”
(Masc, 16 anos, classe B, SP)
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O que é um “slogan”?


Slogan é uma palavra ou frase curta e de fácil memorização, usada com frequência em propaganda comercial, política, religiosa, etc.

É um termo proveniente do inglês, cuja origem etimológica é do gaélico “sluagh-ghairm” (pronuncia-se slo-gorm) em que sluagh significa “exército” e ghairm corresponde a choro ou grito. “Sluagh-ghairm” seria então o “grito de guerra” que identificava determinado grupo. Muitas vezes também era um grito de chamada usado pelos escoceses, que era usado para reunir os combatentes.

No sentido figurado, o uso do slogan para fins publicitários também corresponde a uma guerra entre empresas ao disputarem a preferência do consumidor pelos seus produtos ou serviços.

O slogan é amplamente usado em comerciais televisivos e em outros meios de comunicação. Para criar um slogan, os criativos normalmente recorrem a frases curtas e simples, nas quais estão presentes as características essenciais da empresa ou produto, com o objetivo de permanecerem na memória do consumidor. A criatividade é essencial na criação de slogans. O slogan é uma frase-chave ou expressão que sintetiza o posicionamento da marca ou da empresa. É o logotipo verbal, devendo constar em todas as ações de comunicação, e muitas vezes é apresentado juntamente com o logotipo, que é a identidade visual da empresa ou organização.

No entanto, um slogan não é usado exclusivamente para divulgação de um serviço ou produto. Muitas vezes os slogans também são usados em campanhas políticas, sendo uma forma de anunciar um lema ou princípios políticos defendidos.

Slogans famosos

Alguns slogans que se tornaram famosos no Brasil são:

“1001 utilidades” – Bombril
“A cerveja que desce redondo” – Cerveja Skol
“Sorriso Saudável. Sorriso Colgate” – Creme dental Colgate
“Tomou Doril, a dor sumiu” – Analgésico Doril
“Não tem comparação” – Brastemp

A Coca-Cola, uma das marcas mais fortes e lucrativas do mundo, já apresentou dezenas de slogans ao longo dos tempos. Alguns dos mais famosos foram “Coca-Cola é isso aí”, “Essa é a Real” e “O lado Coca-Cola da vida”.



O desconhecido não se deseja


Por Mario Lucio Gomez Santos

Já ouvi dizer que dá mais trabalho administrar uma quitanda sozinho do que dirigir uma grande empresa, com milhares de funcionários. Faz sentido. O quitandeiro solitário faz tudo, enquanto o administrador da macro-empresa delega a muitas pessoas, podendo limitar-se a rápidas reuniões diárias com assessores para definir as políticas operacionais.

Estas ponderações iniciais vêm a propósito de algo sobre o que me questiono muito: o marketing é um privilégio das empresas grandes? Como pode o pequeno empreendedor praticá-lo?

Abstraindo-se a ansiedade natural por trás da pergunta – pois o pequeno e médio empresário em nosso país, aliás, em qualquer outro, até onde se sabe, tem que possuir o senso aritmético de multiplicar-se e dividir-se para atender a uma enorme quantidade de solicitações – ela revela a incompreensão básica que ainda existe em relação ao marketing e seus praticantes.

Enquanto nenhum empresário, por mais modesta que seja sua empresa, por um instante questiona a necessidade de desempenhar suas funções administrativas básicas, tais como, comprar mercadorias ou matérias primas, gerir estoques, controlar o caixa, fazer registros contábeis, pagar impostos, vender seus bens e serviços, atender aos clientes ou mesmo fazer publicidade, a sua perplexidade manifesta-se por inteiro ao deparar-se com o enigma do marketing. Porque, bem lá no fundo, ele não sabe exatamente o que venha ser isto.

Ainda não tive a ocasião de fazer a pesquisa, mas desconfio que, procurando, se achará na obra de Shakespeare, em algum lugar, a palavra marketing. Se não achar é certo que exista, até em textos mais antigos, pelo simples fato de que se trata de uma palavra corriqueira na língua inglesa, que transforma em verbo gerúndio o substantivo market. Como ela não foi traduzida, nunca adquiriu sua cidadania semântica para os povos que falam outros idiomas.
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