De repente, a televisão brasileira está cheia de comerciais de dentifrícios, antissépticos bucais e escovas de dentes cujo tema é a invasão do banheiro de algum incauto por uma equipe de reportagem.

E equipes autoritárias, bruscas e grosseiras que cercam a vítima e a submetem a algum tipo de interrogatório.

Seguem a escola de invasões de lavanderias, em que mulheres irrompem em cena com algum produto mágico na mão, escanteando a dona da casa e demonstrando mais uma maravilha da indústria química.

Não consigo imaginar o que se passa na cabeça de quem cria e aprova esses materiais. Essa fantasia de invadir a intimidade das pessoas e quase agredi-las no lugar mais reservado de seus lares é, no mínimo, totalitária.

Ou talvez exista alguma explicação freudiana ou lancaniana (uranismo, onanismo, retenção anal?) para esses absurdos que somos obrigados a assistir, pois são exibidos com alta frequência em todos os canais, abertos ou por assinatura.

Suponho que esses comerciais tenham sido aprovados em testes conduzidos pelas multinacionais (agências e clientes) que se acumpliciaram para produzi-los. Se tal for verdade, depõe tristemente contra a inteligência e sensibilidade de nosso público. Nossa vocação para nos submetermos a uma ditadura continua inteira.